Uma resposta (não requerida) ao Cesar Brod
Tanto o Sérgio Amadeu quanto o Avi Alkalay comentaram sobre o voto inesperado do Cesar Brod a favor do OOXML. Para entender melhor o que se passou pela mente do Cesar, li o que ele escreveu no dicas-l sobre o assunto e também o texto que ele recomendou do Roberto Prado.
Bom, ambos os textos não trazem nenhum argumento novo sobre o porquê apoiar o OOXML. Mas alguns dos argumentos a favor merecem ser esclarecidos.
Concordo com o Cesar Brod de que o fato de a Microsoft ter aberto o padrão e ter decidido utilizar XML seja um grande passo, mas isso não é argumento suficiente para apoiar como padrão. A iniciativa de abrir o formato é que deve ser apoiada.
Disse também que o OOXML veio para manter a compatibilidade com os formatos anteriores. Mas ficou claro que a especificação do OOXML não contém um mapeamento das versões anteriores (binárias) para a atual (XML). Se o novo MS Office possui um conversor de formatos é outra história, estamos cometendo o erro comum de sair da discussão de padrões para a discussão de suítes de escritório. Se for ver pelo programa, o OpenOffice.org permite que você abra arquivos de versões antigas do MS Office e os salve em ODF. Nada muito diferente.
O Roberto prado escreveu o seguinte:
Algumas discussões trazem comparações entre o Open XML com o ODF (Open Document Format). É importante reconhecer que estes formatos foram criados com objetivos bem diferentes e que eles são somente dois dos muitos formatos padrões em uso atualmente, os quais têm suas características ideais para diferentes usuários em diferentes cenários.
Como assim foram criados com objetivos bem diferentes? Só se a explicação for: O ODF foi criado por uma aliança de empresas (da qual a Microsoft fazia parte e resolveu sair) em busca de um padrão para formatos de documentos e o OOXML foi criado apenas para o MS Office. Ironia à parte, não vejo diferenças nos objetivos dos formatos.
Ainda, o Roberto Prado e pessoas a favor têm defendido a liberdade de escolha e competitividade, mas se esquecem que isso fica a cargo dos programas, se for para padrões terem liberdade de escolha então não são padrões, são apenas formatos de arquivos.
Se o objetivo é a interoperabilidade, temos que trabalhar em cima da interoperabilidade. Como vamos alcançar isso com dois padrões?
Mais uma vez, parabéns à ABNT pela seriedade e pela forma que conduziu o processo.
–
Interessado em aprender mais sobre o Ubuntu em português?
http://wiki.ubuntu-br.org/ComeceAqui


raulpereira :
Date: August 24, 2007 @ 09:07
Falou tudo rapaz, assino em baixo!!
Leandro Miranda :
Date: August 24, 2007 @ 10:27
Concordo plenamente com você e com os seus comentários… É isso mesmo, não podemos certos camaradas tirarem as atenções do real objetivo, e a MS nunca fez e nem vai fazer nada que não seja pra si propria.
Abraço e adorei seu post.
Lucas Arruda :
Date: August 24, 2007 @ 12:10
Pra mim 2 padrões não é padrão. Padrão é um só. Ou ODF ou OXML.
Como argumentou alguém no primeiro texto de Brod no Dicas-L [0]: Disse Brod que perderemos compatibilidade com documentos anteriores em formato binário, mas vejamos bem, mudar é sempre difícil e se não quebrarmos o ciclo vicioso, vamos continuar a ter mais não sei quantos milhões de documentos binários e o problema sempre irá persistir, até que algum formato aberto vire padrão.
Essa quebra de padrões sempre acontece, então se for pra acontecer novamente, que possamos ficar livre dela de uma vez por todas com um padrão aberto. Para exemplificar, quem não se lembra que antes do Office, o Lotus Note predominava? Até mesmo hoje temos o exemplo de várias pessoas que estão pagando caro pra ter seus filmes VHS em DVD, mas é um preço que se paga para conservar a informação durante os anos, custo que qualquer empresa tem e que pode ser bem reduzido com um formato onde os dados são legíveis por qualquer programa em qualquer SO.
[0] http://www.dicas-l.com.br/brod/brod_20070722.php
Beto Penna :
Date: August 26, 2007 @ 01:56
Antes de tudo meus parabéns pelo niver, muito bacanas as camisetas, sua esposa merece toda retribuição que a vida te permita dar à ela, enfim, seu post comentando e analisando o voto do Cesar Brod foi perfeito e esclarecedor, nem vou me estender, valeu mesmo!
Paulino Michelazzo :
Date: September 26, 2007 @ 23:48
Caro André,
Para quem é o um grande passo a pseudo-abertura do OOXML? Eu honestamente não compreendo este seu comentário como não compreendi o de Brod. É um grande passo somente para quem está em cima do muro e não para nós. O padrão deles de nada interessa à liberdade. Mas claro, se estivermos deixando de lado a liberdade e pensando no “business”, sim, a “abertura” é extremamente importante pois assim os caça-níqueis podem tilintar com mais força.
Saudações desde Timor-Leste
Paulino
Andre Noel :
Date: September 27, 2007 @ 00:07
Olá Paulino,
Eu concordo com você. Quando eu disse um grande passo quis dizer um grande passo eles estarem reconhecendo publicamente o software livre como “necessidade”. Há uns anos atrás eles fingiam ignorar a presença do software livre, hoje eles tentam convencer que estão preocupados com isso (vide http://www.microsoft.com/opensource). O padrão (se podemos dizer “padrão”) não interessa em nada realmente.
Abração.
Andre Noel » Blog Archive » Retrospectiva 2007 (parte 2) :
Date: January 2, 2008 @ 10:23
[...] Uma resposta (não requerida) ao Cesar Brod [...]