O acidente do português

Em 98 e 99 eu trabalhei como estagiário na Copel (Maringá). Em algum momento enquanto estava lá, repassaram o texto abaixo na parte de humor em um informativo. Esses dias fiquei curioso e resolvi procurar na internet. Achei o texto idêntico. Segue abaixo (Aos irmãos lusitanos: é só uma piadinha que repasso como recebi, vocês também vão achar engraçado):

Tribunal Judicial da Comarca de Cascais – Portugal

Explicação de um operário português acidentado à companhia seguradora, sobre seu estranho acidente. Esta transcrição foi fornecida pela seguradora.

TRIBUNAL JUDICIAL DA COMARCA DE CASCAIS

Excelentíssimos Senhores.

Em resposta ao pedido de informações adicionais informo:

No quesito número 3 da participação de sinistro mencionei “tentando fazer o trabalho sozinho” como causa de meu acidente. Disseram em vossa carta que deveria dar uma explicação mais pormenorizada, pelo que espero, os detalhes abaixo sejam suficientes.

Sou assentador de tijolos. No dia do acidente, estava a trabalhar sozinho no telhado de um edifício novo de 6 (seis) andares. Quando acabei meu trabalho, verifiquei que haviam sobrado 250 quilos de tijolos. Em vez de levá-los na mão para baixo, decidi colocá-los dentro dum barril com ajuda de uma roldana que, felizmente, estava fixada num dos lados do edifício, no 6º andar.

Desci e atei o barril com uma corda, fui para o telhado, puxei o barril para cima e coloquei os tijolos dentro. Voltei para baixo, desatei a corda e segurei com força, de modo que os 250 quilos de tijolos descessem devagar (de notar, indiquei no quesito número 11 que meu peso era de 80 quilos).

Devido a minha surpresa por ter saltado repentinamente do chão, perdi minha presença de espírito e esqueci-me de jogar a corda. É desnecessário dizer que fui içado do chão a grande velocidade. Nas proximidades do 3º andar, embati no barril que vinha a descer, o que explica a fratura no crânio e a clavícula partida.

Continuei a subir em uma velocidade ligeiramente menor, não tendo parado até os nós dos dedos das mãos estarem entalados na roldana. Felizmente, já que havia recuperado minha presença de espírito, consegui, apesar das dores, agarrar a corda. Mais ou menos ao mesmo tempo, o barril com os tijolos chegou ao chão e o fundo partiu-se. Sem os tijolos o barril pesava cerca de 25 quilos (refiro-me novamente ao quesito 11 – meu peso era de 80 quilos). Como podem imaginar, comecei a descer rapidamente. Próximo ao 3º andar, encontro novamente o barril que vinha à subir. Isto justifica a natureza dos tornozelos partidos e das lacerações nas pernas, bem como nas partes inferiores do corpo. Porém, o encontro com o barril arrefeceu minha descida o suficiente para amenizar os meus sofrimentos quando caí em cima dos tijolos e, felizmente, só fraturei as vértebras.

Lamento, no entanto, informar que enquanto me encontrava caído em cima dos tijolos com dores que me incapacitavam de levantar, vendo o barril acima de mim, perdi novamente minha presença de espírito e larguei a corda. O barril pesava mais que a corda e então desceu, caindo em cima de mim, partindo-me as duas pernas.

Espero ter dado a informação solicitada do modo que ocorreu meu acidente.

O Google me avisou que eu encontraria esse texto aqui.

5 opiniões sobre “O acidente do português”

  1. André
    É caso para dizer que o meu patrício além desconhecer as leis da Física ainda por cima foi um grande azarento .
    Conseguiste pôr-me às gargalhadas com a infelicidade do homem.

  2. Engraçado? Acho que nunca ri tanto como quando li isso pela primeira vez:)

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