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O país que precisa de leis para que votem direito

Tenho um amigo que mora num determinado país, que não vou dizer o nome para que vocês não fiquem com má impressão de lá, que me contou sobre algumas leis que foram aplicadas lá, simplesmente porque o povo não sabe escolher seus governantes.

Uma das leis é uma lei que proíbe corruptos já condenados a se candidatarem. Eles chamam lá essa lei de “Ficha Limpa”. Isso é um absurdo! Primeiro porque em um país onde impera a democracia todos deveriam estar aptos a se candidatar. Segundo, porque um país com um mínimo de sabedoria não elegeria tais candidatos que foram pegos em crimes (eleitorais ou não).

Existe também uma lei que proíbe um político cassado de seu mandato a se candidatar novamente por 8 anos. Mas que absurdo! Em que país as pessoas votariam num candidato que foi cassado de seu mandato? O indivíduo foi retirado por algum crime e ainda haveria alguém que votaria para colocá-lo novamente no cargo? Esse meu amigo disse que até existe um caso nesse país onde um presidente foi deposto (há mais de 8 anos) por corrupção e hoje ele é o mais votado em seu estado.

Além disso, todos os cidadãos são obrigados a votar, como se não estivessem interessados em escolher seus próprios representantes, aqueles que vão influenciar diretamente as suas vidas por pelo menos 4 anos.

Meu amigo terminou a conversa me dizendo que a existência dessas leis é algo muito triste, porém necessária naquele país, pois, segundo ele, o crime e a corrupção já fazem parte do dia a dia do cidadão comum, que não sabe como lutar contra isso, e acaba achando tudo normal.

Que Deus abençoe aquele país!

O Brasil está mais seguro

Acabei não escrevendo antes, mas queria dar um alívio a todos os meus leitores e dizer que o Brasil está mais seguro. Semana passada não me deixaram entrar no avião com meu alicatinho multi-uso:

Já imaginaram o que eu poderia fazer com ele dentro do avião? Eu poderia apertar a orelha de uma comissária de voo com o alicate e sequestrar o avião!

Na verdade disseram que era porque o alicate tinha uma lâmina, que não chegava a 2cm!! O máximo de estrago que eu poderia fazer era se cortasse a jugular de alguém. Mas se eu tivesse essa habilidade, poderia fazer o mesmo usando uma tampa de caneta bic.

É um absurdo o que fazem a gente passar em aeroportos. Viajei ao FISL de ônibus, levei quase 24h na volta, mas com muito menos dor de cabeça do que qualquer voo que já tomei.

Quando viajamos de ônibus, ninguém chega e nos diz: você não vai mais nesse, te colocamos em outro daqui a 6 horas.

Lista completa de políticos honestos no Brasil

O Brasil inteiro está pedindo para que aprovem a lei que autoriza só quem é ficha limpa se candidatar. Porém, como acho que isso não será colocado em prática pelo menos até a copa de 2018, resolvi eu mesmo fazer o trabalho pesado e fiz uma listagem completa com todos os políticos honestos do Brasil.

Entende-se por honesto aquele político que, além de ter a ficha limpa, cumpre todas as promessas de campanha, não aceita suborno ou mensalões, não contrata parentes, não legisla em benefício próprio e não usa o seu cargo político apenas para enriquecer, mas está realmente preocupado com a população.

Segue a lista:

Fica então a minha dica. Não esqueça de imprimir a lista acima para levá-la com você na hora da eleição.

Vamos promover os políticos honestos desse país!

Eu votei nele!

Antes, veja o vídeo:

Podem falar mal o quanto for, mas ele fez muito pelo país, pela situação financeira, pelo reconhecimento fora e pelo software livre. Me admira um presidente que reconhece que não entende os termos técnicos, mas que vê com clareza as vantagens. Concordo que ele pisou na bola nesse rolo do Sarney, mas ele ainda é um presidente único. Um abraço, presidente.

Aproveitando, aqui no Paraná também temos que reconhecer o que o Requião faz pelo software livre (esse só votei no segundo turno). A abertura ao software livre e o apoio à Celepar, que tem “exportado” software livre para o país inteiro, até compensam o fato de ele ser meio doido…

Sei que política é algo polêmico, mas como disse uma vez um amigo: estou aberto a xingamentos.

Não posso dizer no blog o que o Jornal da Globo me pergunta?

O Jornal da Globo, comprando a briga do O Globo e outros, meteu o pau na Petrobrás (a quem acabei de aplaudir) porque ela (a Petrobrás) publica em seu blog o que responde aos repórteres antes que isso seja publicado…

Qual o mal nisso?

Resposta Curta: O jornal perde a chance de distorcer o que você disse.

Resposta Longa: A imprensa brasileira ainda se arrepia diante dos blogueiros e da internet em geral, acreditando que vão perder a audiência por causa dos blogs. Mas, para a imprensa perder a audiência para os blogs só se essa imprensa brasileira não tivesse credibilidade, e não é o que ocorre no Brasil (será?).

Gostei muito da resposta da Petrobrás: A informação que eles deram pertence a eles. E isso é óbvio. A imprensa precisa se desdinossaurizar (wow, inventei uma palavra) e fazer como os jornalistas espertos como o Tas, que há muito tempo adentrou à blogosfera e se deu muito bem com isso.

Se quiser ver a reportagem, acesse aqui.

Também, veja o blog da Petrobrás e o blog do Tas.

Jornal da Globo: fiquem tranquilos porque não vou publicar o que vocês me perguntarem, afinal, vocês nunca vão querer me entrevistar mesmo…

A cara do Brasil

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O texto abaixo é de autoria da jornalista Delis Ortiz (Rede Globo) e foi publicado na Revista Ultimato nº 317, de fevereiro de 2009. Vale a pena.

Outro dia, ao chegar ao Rio de Janeiro, tomei um táxi. O motorista, jeito carioca, extrovertido, foi logo puxando papo, de olho no retrovisor.

— A senhora é de Brasília, não é?

— Sim — respondi.

— É, eu a reconheci. E como é que a senhora aguenta conviver com aqueles ladrões lá do Planalto Central? Não deve ser moleza.

O sujeito disparou a falar de políticos, do tanto que eles são asquerosos, corruptos… Desfiou um rosário de adjetivos comuns à politicagem nacional.

Brasília é o palco mais visível dessas mazelas e nem poderia deixar de ser. Afinal, o país inteiro olha para lá. O taxista era só mais um crítico, aparentemente atento. E ele sabia dar nomes aos bois que pastavam tranquilamente no orçamento da união, que se espreguiçavam impunemente sob a sombra da imunidade parlamentar ou de leis feitas em benefício próprio. E que, de tempos em tempos, se refrescavam nas águas eleitoreiras.

O carro seguia em alta velocidade; a distância parecia esticada. Vi uma bandeira três em disparada.

Lá pelas tantas, quando já estávamos dentro de um segundo túnel escuro, o condutor falante sugeriu um “dia sem corrupção”.

— Já pensou — disse ele — se uma vez por ano esses homens não roubassem?

— Interessante — a exclamação me escapou aos lábios.

— Sim — continuou entusiasmado –, seria uma economia e tanto.

Nessa hora, me dei conta de que estávamos percorrendo o caminho mais longo para o meu destino. Chegava a ser irracional a quantia de voltas para acertar o rumo. Deixei.

— Os economistas comentam — tagarelava ele — que somos um país rico. Não deveria existir déficit da previdência, os impostos nem precisariam ser tão altos, o serviço público poderia ser de primeira. O problema é que quanto mais se arrecada, mais escorre pelo ralo, tamanha a roubalheira.

Tão observador, será que ainda se lembrava em quem tinha votado para deputado ou senador na última eleição? Fiz a pergunta e, depois de algum silêncio, a resposta foi não. Pena.

Caímos num engarrafamento, cenário perfeito para aquele juiz de plantão tecer mais comentários sobre o malfeito.

— Veja como são as coisas, os riquinhos ociosos da Zona Sul, que deveriam pensar em quem tem pressa, acham que são os donos do pedaço e vão embicando seus carros, furando fila, costurando de uma faixa a outra, querendo levar vantagem. A gente, que é motorista de táxi, tem que ficar atento, porque os guardas estão de olho, qualquer coisinha eles multam. Mas eles fazem vista grossa para as vans que transportam pessoas ilegalmente. Elas param onde querem, estão tomando os nossos passageiros. Como não tem ônibus para todo mundo e táxi fica caro, muita gente prefere ir de van.

Por falar em “caro”, a interminável corrida já estava me saindo um absurdo… Resolvi pontuar algumas coisas.

— Por que o senhor escolheu o caminho mais longo?

Ele tentou se justificar:

— É que eu estava fugindo do congestionamento.

— Mas acabamos caindo no pior deles — retruquei. E por que o senhor está usando bandeira três se não tenho bagagem no porta-malas nem é feriado hoje? — continuei questionando.

Ele disse que estava na três para compensar a provável falta de passageiro na volta. Claro que não, eu sabia.

Finalmente, consegui chegar ao endereço pretendido. Fiz mais um teste com o “probo” cidadão: paguei com uma nota mais alta e pedi nota fiscal. Ele me devolveu o troco a menos e disse que o seu talão de notas havia acabado.

— Veja como são as coisas, seu moço — emendei. O senhor veio de lá aqui destilando a ira de um trabalhador honesto. No entanto, se aproveitou do fato de eu não saber andar na cidade, empurrou uma bandeirada, andou acima da velocidade permitida, furou sinal, deu voltas, fingiu que me deu o troco certo e diz que não tem nota fiscal!

O brasileiro esperto quis interromper, mas era minha vez de falar.

— O senhor acha mesmo que ladrões são aqueles que estão em Brasília? Que diferença há entre o senhor e eles?

Eu sabia que estava correndo risco de uma reação violenta, mas não me contive. Os “homens” do Planalto Central são o extrato fiel da nossa sociedade. Quantos taxistas desse porte vemos dirigindo instituições? Bons de discursos… Na prática…

Desembarquei com a lição latejando em mim. Quantas vezes, como fez esse taxista, usamos espelho apenas como retrovisor para reter histórias alheias? Nossas caras, tão deformadas, tão retocadas, tão disfarçadas, onde estão? Onde as escondemos que não aparecem no espelho?

Sem a verdade que liberta, jamais estaremos livres de nós mesmos. Ainda sonho com um Brasil de cara nova… A começar por minha própria cara.

  • Delis Ortiz é jornalista, repórter especial da TV Globo, em Brasília. É mãe de Brenda e Bianca, e avó de Gabriel e Stella. É membro da Igreja Presbiteriana do Planalto.

Projeto obriga políticos a matricularem seus filhos em escolas públicas

Trata-se de um movimento de apoio à ideia do senador Cristovam Buarque, que era candidato a presidente com a proposta da educação. Ele apresentou um
projeto de lei propondo que todo político eleito (vereador, prefeito, deputado, etc.) seja obrigado a colocar os filhos na escola pública. As consequências seriam as melhores possíveis. Quando os políticos se virem obrigados a colocar seus filhos na escola pública, a qualidade do ensino no país irá melhorar. E todos sabem das implicações decorrentes do ensino público que temos no Brasil.

Acompanhe o andamento do projeto de lei pelo site do senado.

E, se você concorda, ajude a divulgar (e acompanhar).

O povo tem os políticos que merece

Os americanos elegeram o Bush, rapaz que ganhava dinheiro em cima do petróleo, e ainda fez a burrada de reelegê-lo. O dito cujo inventou uma guerra que fez disparar o preço do líquido negro…

Aqui em Maringá o povo também elegeu e reelegeu o nosso Bush. Só que o Bush daqui não tem empresas de petróleo, e sim empresa de tratamento de lixo. O que ele fez? Ele e sua corja de vereadores aprovaram uma taxa para tratamento do lixo onde todos nós (eleitores) pagaremos através da conta de água.

A pérola que vi na TV: a vereadora Dercy Gonçaves Edith Dias, braço direito do Bush maringaense, disse no principal canal de TV: “A população já paga tudo mesmo, agora vai pagar mais isso”.

Adivinhem se alguém está preocupado em tratar corretamente o lixo reciclável? Nem menção disso…

Ah, pensando em escrever esse post vi outra notícia que me deixou feliz: os belos deputados paranaenses aprovaram depois das 2h da manhã uma aposentadoria especial para eles mesmos, classificada na reportagem como uma segunda aposentadoria. Desde quando deputado é uma profissão? Alguém já se formou em Deputadologia? Quando o cara é eleito, em tese ele estaria abrindo mão de várias coisas para tratar do que é público. Isso não deveria dar aposentadoria ou etc…